No funeral do Presidente Gordon B. Hinckley, foi tocado pela primeira vez em um evento público um hino composto por Janice Kapp Perry com letra do próprio Presidente Hinckley. O título do hino no original em inglês pergunta: “O que é essa coisa que os homens chamam de morte?”. A linda poesia de Presidente Hinckley faz algumas considerações sobre esse evento tão comum e ao mesmo tempo tão misterioso para muitos de nós. A versão em português, que tive a honra de criar e ver adotada pela irmã Perry, tem como título “Acaso Traz a Morte o Fim?” e sua letra é a seguinte:

Acaso traz a morte o fim?
O derradeiro pôr do sol?
Decerto é prenunciação
De um mais brilhante arrebol.

Acalma, Deus, meu coração
E alivia meu pesar
Concede paz transcendental
E o meu pranto faz cessar!

Morte não há;
Mudança, sim,
Com recompensa ao fiel
Por dom de quem mais nos amou:
O Cristo, Rei de Israel.

A última estrofe é particularmente confortante e totalmente de acordo com a doutrina do evangelho. A morte nada mais é do que uma mudança de nível em nossa existência imortal e deve ser encarada como o prenúncio da eternidade.

Ao pregar a doutrina de ressurreição, o apóstolo Paulo afirmou: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1 Coríntios 15:19). Ele sabia, e queria que todos também soubessem, que o sacrifício expiatório de Jesus Cristo eliminou completamente os efeitos da morte física, permitindo que todos aqueles que um dia receberam um corpo físico nesta terra, a despeito de seu comportamento e fidelidade aos mandamentos, tenham esse mesmo corpo reunido de forma permanente e incorruptível ao mesmo espírito que o habitou quando na vida mortal. Uma pessoa ressuscitada não morre novamente, mas tem um corpo perfeito, não sujeito a morte, doenças ou qualquer outro fenômeno físico degenerativo. Esse é um dom de Cristo a toda criatura que já viveu sobre a terra.

Sabendo disso, podemos entender que a morte, como diz o lindo poema do Presidente Hinckley transformado em hino, de forma alguma é o fim e tampouco o derradeiro pôr do sol, mas tão somente o prenúncio de um arrebol ainda mais brilhante. O impacto simbólico do sepulcro vazio ajuda a reforçar esse entendimento.

Que consolo tal certeza traz ao coração daqueles que sofrem com o afastamento dos entes queridos que já fizeram a passagem para o outro lado do véu! Apesar da tristeza da separação, podemos sempre esperar pela alegria do reencontro. Mais que isso, podemos nos confortar com a certeza de que aquele ente querido que momentaneamente se afastou está bem, pois, como disse Alma a Coriânton, “o espírito daqueles que são justos será recebido num estado de felicidade, que é chamado paraíso, um estado de descanso, um estado de paz, onde descansará de todas as suas aflições e de todos os seus cuidados e tristezas” (Alma 40:12).

Mario Silva

Mario Silva serviu na Missão Brasil São Paulo Norte de 1978 a 1980 e como missionário de serviço do Departamento de Tradução em Salt Lake City de 2000 a 2003. Desde 1994, serve como tradutor e intérprete, emprestando a voz a diversas Autoridades Gerais. É Assessor de Área de História da Família e trabalha como Gerente de Relacionamento do FamilySearch para o Brasil. Possui Mestrado em Administração de Empresas pela Universidade Brigham Young. É casado e tem dois filhos e três netos.