em>Esta é uma série sobre falsos conceitos que são propagados por muitos na Igreja com a aparência de que representam a verdade. Todos os conceitos errôneos são compostos de doutrinas mescladas com os ensinamentos dos homens. Daí a dificuldade em discernir a verdade do erro, quando nos deparamos com algumas destas colocações.

Falso Conceito 4 – “Irmão ‘Fulano de Tal’ seria melhor neste cargo do que este outro irmão que foi chamado.”

Temo que, aos poucos, alguns membros da Igreja estejam acostumando-se a associar a escolha de alguém para um cargo na Igreja à escolha de um profissional para uma vaga em uma empresa, ou de um político para um cargo eletivo, valorizando competências pessoais e popularidade, e desprezando o que realmente importa neste processo. Já ouvi coisas como: “Esta pessoa não tem qualificação educacional, então, não podemos esperar que ela vá ser uma boa professora na Escola Dominical”, ou “Precisamos elevar o nível dos bispados, chamando pessoas que tenham ampla experiência administrativa”, ou ainda “Estes líderes cometem erros, logo, não são inspirados e, portanto, certamente não foram chamados por inspiração.”

Quando um membro é chamado para ocupar uma posição na Igreja, isto é feito em obediência a critérios definidos pelas escrituras, pelos manuais, e pelo bom-senso de quem faz o chamado. Uma avaliação inicial é feita em espírito de oração. O líder certifica-se de que o cargo fará bem ao membro, que não o atrapalhará profissionalmente, nem à sua família, que a pessoa tem as qualidades exigidas, delineadas pela Igreja, e que existe a maturidade necessária para a posição a ser ocupada. Após esta ponderação, seguida de fervorosa oração ou mesmo de jejum, o líder submete a sua decisão à aprovação do Espírito Santo, que a confirma ou não. Este processo respeita o que está previsto nas escrituras: “Mas eis que eu te digo que deves estudá-lo bem em tua mente; depois me deves perguntar se está certo e, se estiver certo, farei arder dentro de ti o teu peito; portanto, sentirás que está certo. Mas se não estiver certo, não terás tais sentimentos; terás, porém, um estupor de pensamento que te fará esquecer o que estiver errado.” (D&C 9:8-9).

Todo este cuidado na definição da ocupação de um cargo faz-se necessário pelo caráter extremamente sagrado que toda e qualquer posição nesta Igreja – que é o Reino de Deus na Terra – tem. Servir ao Senhor, em Sua Igreja, por meio do serviço aos Seus filhos, é uma grande honraria. Ainda que todos os membros devam ter a oportunidade de serem responsáveis por alguma tarefa na Igreja, a decisão sobre “quem” deve fazer “o quê” e “quando”, exige do líder concentração e afinidade com o Espírito Santo, para que seja feito o melhor para o crescimento do Reino e de seus membros.

Não confiar neste processo é um grande erro. O Presidente Joseph Smith afirmou: “Cremos que um homem deve ser chamado por Deus, por profecia, e pela imposição de mãos, por quem possua autoridade, para pregar o Evangelho e administrar as suas ordenanças.” (Regras de Fé 1:5). Esta regra de fé nos explica que, quando alguém é chamado, o é por profecia, ou seja, por revelação, e por quem possui autoridade para fazer o chamado, ou seja, por quem possui autoridade para ponderar, para orar e para receber a confirmação do Espírito Santo sobre o assunto. Quando alguém afirma que outro membro deveria ocupar aquele cargo, e não aquele que foi chamado, está rejeitando o processo e tomando para si a autoridade de decidir sobre o assunto. Não é possível desqualificar o líder que possui a autoridade para agir neste processo, sem desqualificar, antes, o próprio processo, cuja peça chave não é o líder, nem o membro, nem o cargo, mas o Espírito Santo!

Paulo, ao escrever sua primeira carta aos membros em Tessalônica, falou exatamente sobre o erro de não se reconhecer e valorizar quem possui esta autoridade, e de se tratar o Espírito – e seu poder de revelar – com pouco zelo: “E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós e que vos presidem no Senhor, e vos admoestam; E tende-os em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende paz entre vós; (…) Não apagueis o Espírito. Não desprezeis as profecias.” (I Tessalonicenses 5: 12-13; 19-20).

Os que se consideram capazes de julgar o líder e o processo de chamado, o fazem movidos pelo orgulho, pela inveja, pela ambição ou pela soberba. Consideram-se mais qualificados e capazes de exercerem o cargo em questão ou de decidir quem deve ocupá-lo. E, assim, rejeitam os que foram chamados pelo Senhor. Ainda que alguém seja mais capaz, mais desenvolto, mais experiente, mais isso ou mais aquilo, estas qualificações não são justificativas para a não aceitação do processo do chamado de um irmão. Ninguém teria melhor desempenho em um cargo na Igreja, que aquele que foi chamado por alguém com autoridade para fazê-lo, pois, como ensinou Paulo aos santos de Corinto, “(…) a nossa capacidade vem de Deus.” (2 Coríntios 3:5).

Buscar compreender e aceitar sinceramente que os chamados são feitos segundo os preceitos do Senhor é uma atitude simples, que trará muito maior alegria e abrirá a possibilidade de crescimento mútuo. Confiemos nos que lideram o processo de chamados, nos que são chamados e no Espírito Santo. Confiemos que o Senhor está no comando e não é sábio ‘colocar a mão na arca’ (2 Samuel 6:6-7). Que nos ocupemos zelosamente na tarefa que nos foi confiada (D&C 58:27) e permitamos que todos façam o mesmo. Há trabalho suficiente para todos no Reino e qualquer trabalho será melhor realizado se todos colaborarem para isso.

Siga-me!

Antonio Carlos Lima

Antonio Carlos Lima mora em Aracaju/SE. Serviu na Missão Brasil Brasília, de 1991 a 1993. Atualmente, serve como 2º Conselheiro no Bispado. Casado, é pai de 2 filhos.
Siga-me!

Últimos posts por Antonio Carlos Lima (exibir todos)