Esta é uma série sobre falsos conceitos que são propagados por muitos na Igreja com a aparência de que representam a verdade. Todos os conceitos errôneos são compostos de doutrinas mescladas com os ensinamentos dos homens. Daí a dificuldade em discernir a verdade do erro, quando nos deparamos com algumas destas colocações.

Falso Conceito 2 – “Na Igreja não somos obrigados a nada, somos apenas aconselhados.”

Embora o sentido deste falso conceito pareça ser o de defender o livre arbítrio, é, na verdade, o contrário. Se não há obrigatoriedade do cumprimento de uma lei, é por que não há realmente uma lei. E aquele que não tem uma lei para cumprir não é livre para escolher obedecer, e nem a justiça nem a misericórdia têm poder sobre ele. Este princípio foi ensinado de forma clara por Alma a seu filho Coriânton: “Ora, como poderia um homem arrepender-se, se não houvesse pecado? Como poderia ele pecar, se não houvesse lei? E como poderia haver lei, a não ser que houvesse castigo? Ora, um castigo foi fixado e foi dada uma lei justa que trouxe o remorso de consciência ao homem. Ora, se não tivesse sido dada uma lei — que, se um homem assassinasse, deveria morrer — teria ele medo de morrer, se assassinasse? E também, se não tivesse sido dada lei alguma contra o pecado, os homens não teriam medo de pecar. E se não tivesse sido dada a lei, que poderia a justiça ou mesmo a misericórdia fazer se os homens pecassem, uma vez que não teriam direito sobre a criatura?” Alma 42:17-21

Não é errado chamarmos os mandamentos do Senhor de conselhos, porém isto não significa que seu cumprimento não seja uma obrigação. Um conselho – no sentido de ser apenas uma orientação – pode ser seguido ou não. Fosse esta a posição do Senhor ou da Sua Igreja para conosco, poderíamos dizer, então, que não somos obrigados a pagar o dízimo, viver a palavra de sabedoria ou manter a castidade intacta, mas apenas somos aconselhados a fazê-lo. Sendo assim, qualquer um de nós que desejasse não seguir estes “conselhos” não poderia ser castigado, pois não haveria obrigação.

Muitos se assustam com a palavra “Obrigação”. No dicionário, aprendemos que, entre outras coisas, “Obrigação” significa: “Dever”, “Necessidade moral”, “Encargo”, “Compromisso”. E que “Obrigar-se” (colocar-se em obrigação), significa: “Responsabilizar-se”.

Quando assumimos um compromisso, nos obrigamos com algo ou alguém. Passamos a ter um dever, uma responsabilidade no cumprimento do nosso compromisso, ou seja, da nossa obrigação. Isto é diferente de ser coagido ou forçado a cumprir o compromisso. No evangelho, jamais somos coagidos ou forçados a fazermos qualquer coisa. Nós nos colocamos sob a obrigação (dever) de fazê-lo por nossa livre escolha. Por exemplo, quando alguém decide se tornar um membro da Igreja, assume o compromisso de pagar o seu dízimo integral. Ao fazer este convênio, a pessoa se coloca sob uma obrigação e deve honrá-la. Porém, jamais será coagido ou forçado a fazê-lo. O Bispo nunca pedirá para ver o seu comprovante de recebimento de salário, nem o forçará a abrir a carteira de dinheiro para pagar o dízimo. A obrigação existe, pois um compromisso foi assumido. Honrar com esta responsabilidade é decisão pessoal.

Também é importante deixarmos bem claro que quando assumimos uma obrigação com a Igreja, estamos assumindo uma obrigação com o Senhor. E, quando não cumprimos com a obrigação assumida, há consequências a serem suportadas. Se um membro da Igreja não cumpre a sua obrigação de pagar o dízimo (para seguir no mesmo exemplo dado anteriormente) ele não poderá frequentar o templo. Restrições tais como não partilhar do sacramento, não exercer o sacerdócio ou não receber um chamado formal são consequências que acompanham a livre decisão de não cumprir um dever assumido com o Senhor e a Sua Igreja. Ninguém deve pensar que pode assumir um compromisso com o Senhor (fazer um convênio), não cumpri-lo e tudo estará bem. Quando assumimos uma responsabilidade, sempre teremos consequências. Elas podem ser agradáveis (bênçãos) ou desagradáveis (castigo). De qualquer modo, elas (as consequências) são necessárias para o nosso processo de arrependimento e aperfeiçoamento pessoal diante do Senhor. A grande bênção que os que quebram um compromisso assumido com o Senhor possuem é o perdão, ou o direito de, ao corrigirem sua ação (arrependimento) e passarem a fazer a vontade do Senhor (cumprir com seu dever), terem o seu erro apagado por Ele.

A Igreja, como legítima detentora da representatividade da vontade do Senhor na Terra, tem não apenas o direito, mas o dever de exigir de nós o cumprimento de Suas leis, Suas ordenanças, Suas revelações e Seus convênios. Nós, Santos dos Últimos Dias, estamos em posição de obrigatoriedade do cumprimento de todos eles, sob pena de não participarmos da Glória Eterna do Senhor. Ser obrigado não significa ser coagido ou forçado. Cumprir uma obrigação não é agir compulsoriamente. A obrigatoriedade a que estamos sujeitos pelo Senhor e Sua Igreja não elimina o nosso arbítrio. Ao contrário, dá-nos o direito de escolher entre a vida ou a morte eterna, ao escolhermos cumprir com a nossa obrigação, ou não.

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Antonio Carlos Lima

Antonio Carlos Lima mora em Aracaju/SE. Serviu na Missão Brasil Brasília, de 1991 a 1993. Atualmente, serve como Secretário Executivo da Presidência da Estaca. Casado, é pai de 2 filhos.
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