Fico espantado com a frequência que encontro boas pessoas divorciadas. Há um número crescente de divórcios por motivos cada vez mais banais, além de ser comum encontrar pessoas sofrendo, sem terem contribuído efetivamente para a ocorrência do divórcio. O presidente James E Faust disse: “Em toda uma vida passada tratando de problemas humanos, tenho-me esforçado por compreender o que poderia ser considerado uma ‘causa justa’ para a quebra de convênios. Confesso não ter sabedoria nem autoridade para declarar conclusivamente o que seja ‘causa justa’. Apenas os participantes do casamento podem determinar isso.” (Manual do Aluno do Curso de Casamento Eterno p.73)

A igreja continuará a pregar contra o divórcio e proteger a continuidade da família. Da mesma forma a igreja não admite a ocorrência de abuso ou maus tratos, que muitas vezes motivam o divórcio. Quando falamos de abuso geralmente a primeira imagem que surge são as de agressões físicas. Humilhações e ofensas frequentes, privação de liberdade, abandono dos deveres familiares, recusar-se a falar, também são formas de maus-tratos e abuso. Não estamos falando de um episódio único, de um erro, um lapso, mas sim de um comportamento sistemático e repetido.

Quando penso na causa dos divórcios visualizo três grupos de pessoas:
• As vítimas inocentes,
• Os pessoas que compartilham com o cônjuge causas que levaram ao fim do relacionamento,
• Os que tiveram atitudes deliberadas que produziram um divórcio.

Para todos a expiação de Cristo pode ter efeito. Àqueles que transgrediram contra castidade ou agiram de modo abusivo, o processo de arrependimento, pode produzir mudanças, embora os remédios possam ser amargos, certamente trarão os efeitos necessários. Quanto aos que quebraram a lei de castidade o Presidente Benson aconselhou: “Fujam imediatamente de qualquer situação que já os esteja levando a cometer o pecado ou que possa vir a facilitá-lo. Peçam ao Senhor que lhes dê forças para vencer. Permitam que seus líderes do sacerdócio os ajudem a resolver a transgressão e a reintegrar-se plenamente com o Senhor. Bebam da fonte divina e encham sua vida com fontes positivas de vigor. Lembrem-se de que, por meio do devido arrependimento, vocês podem se tornar novamente limpos. A vocês, que pagam o preço exigido pelo verdadeiro arrependimento, a promessa será cumprida: Vocês podem ficar limpos novamente. O desespero se dissipará. E a doce paz do perdão fluirá em sua vida.” (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Ezra T. Benson, Capítulo 17, Guardar a Lei da Castidade)

Quero direcionar o restante do texto àqueles que sentem ter contribuído pouco para ocorrência do divórcio ou sentem-se vítimas inocentes. Algumas ideias são frequentes entre pessoas que se encontram nesta situação:

Sensação de vergonha por sentir-se em dívida para com a igreja e familiares:
Quando uma pessoa decide divorciar-se, após muito sofrimento, cabe a liderança e familiares prestar apoio. A sensação de estar em dívida com a doutrina e com a igreja é comum, pois divórcios são uma situação de exceção.
Precisamos ajudar os que passaram pelo divórcio a lembrar do caráter compassivo e misericordioso do Salvador, e lançar-se, sem vergonha, em seus braços.

Sensação de culpa:
Embora uma análise do comportamento individual e do quanto possa ser modificado e melhorado seja bem-vinda, me preocupa muito a situação de pessoas que tem uma situação mais próxima à das vítimas inocentes. Algumas sofreram manipulação de um cônjuge perverso, apresentam um perfil mais brando em algumas situações até dependente. Pude ver pessoas que tinham um cônjuge que cometia abusos e maus tratos se culpando, outros que sofreram com o adultério do cônjuge justificando as atitudes do transgressor através de autodepreciação. Tenho profunda preocupação com este grupo de pessoas que sofreu um grande dano na autoestima.

Muitas vezes a mediação de um líder ou de uma pessoa prudente que seja um observador externo pode ajudar a evitar uma culpabilização da vítima. O abalo emocional pode, de fato, fazer com que se assuma um culpa injustificada. Cito como exemplo a situação de mulheres que após anos de casamento, gravidezes e doenças, apesar de tentarem manter uma vida saudável, não têm mais a mesma forma física de quando casaram. Espera-se que um homem que ame sua esposa passe por um amadurecimento que o permita entender estas mudanças, de modo a não ceder às tentações quanto à aparência física de outras mulheres. (Ressalto que não estou justificando deliberado desleixo com os cuidados de saúde e aparência)

Sou um fracasso:

A perda de esperança no sexo oposto, na instituição do casamento,ou em si mesmo é comum, mas certamente não é um sentimento que provém de Cristo: “Mas tudo que persuade o homem a praticar o mal e a não crer em Cristo e a negá-lo e a não servir a Deus, podeis saber, com conhecimento perfeito, que é do diabo”. Moroni 7:17

Certamente as situações em entrevistas que mais me despertaram compaixão, ocorreram ao ouvir pessoas que sofram abusos ou traição, por ver o nível de sofrimento e o abalo sofrido na autoconfiança. Neste momento procurava ajudar as pessoas a desenvolver uma qualidade cristã: “os olhos da fé”. Costumo dizer às pessoas que passam por uma crise que enquanto se está no buraco, ao olhar para os lados, só enxergamos parede de buraco. Precisamos ser elevados para tirar a cabeça do buraco e conseguir enxergar o horizonte.

O poder capacitador da expiação precisa ser invocado através de oração e jejum, pedindo a Deus que ajude a enxergar além do que a visão mortal é capaz de ver. Ao contrário, os sentimentos de rancor contra o ex-cônjuge, rebelião contra o Senhor e seus servos debilitam e podem sufocar totalmente a possibilidade de um futuro brilhante.

O risco de baixar as expectativas:

Em um processo onde a autoestima é minada, talvez o que mais me preocupe é que se passe a aceitar um padrão inferior de pessoas para uma nova união, por pressa, por não se julgar merecedor de uma pessoa que viva o evangelho, ou até por acreditar que todas as pessoas de um mesmo grupo ou fé terão os mesmos erros do cônjuge anterior. O tempo do Senhor é diferente do nosso, bem como Sua forma de agir:

“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR.
Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.” Isaías 55:8-9

Acredito muito na capacidade que casais podem ter de potencializar o que há de bom nos outros ou promover mudanças no que precisa ser aperfeiçoado, mas é preciso ser realista. Sugiro a leitura do texto “Como Saber se é Ele(a).”

Meu convite aos que passaram por um divórcio é: permaneçam fiéis, lembrando sempre que “As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam.” I Coríntios 2:9

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Luciano Sankari

Serviu na Missão Brasil Recife Sul de 1996 a 1998.Graduado em medicina em 2003 na Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná, com Especialização em Cardiologia HC-UFPR e em Gestão do Trabalho e Educação em Saúde ENSP/FIOCRUZ. Trabalha na área de psiquiatria há 12 anos. É Presidente da Estaca Curitiba Brasil Novo Mundo. Casado, tem 3 filhos.
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