Com respeito à história da Igreja, no dia 6 de abril de 1830, que era uma terça-feira, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias era organizada na terra, e assim a mesma Igreja que Cristo organizou no seu ministério mortal estava novamente na terra com todo poder e gloria. No começo a igreja tinha apenas seis homens que eram todos jovens com mais ou menos vinte e quarto anos e já tinham entrado nas águas do batismo.

Como um célebre historiador americano Gordon S.Wood reconhece ter havido um momento propício para a Restauração: ”Foi providencial que a Restauração tenha ocorrido em 1830”.[1]

No começo, os missionários só pregavam nos Estados Unidos, mas no ano de 1849 o presidente Brigham Young, juntos com outros lideres da Igreja, mandaram os missionários irem pelo mundo, principalmente na Europa. O motivo pelo qual os missionários eram enviados para Inglaterra e países vizinhos era o idioma falado – o inglês – que facilitava a pregação do evangelho Restaurado. Assim o tempo foi passando e outros países começaram a receber pregação do Evangelho restaurado, mas como a instabilidade política nestes países não favorecia muito a permanência dos missionários e também com as dificuldades financeiras e do idioma, houve ainda um pouco de demora nesse processo.

O Brasil nesta época, não iria ser um campo fértil, a religião neste momento era um fator de opressão e não podiam exercer outras religiões que não fosse a Católica, pois o regime era imperialista e tinha a Igreja Católica como a religião oficial da coroa.

No mês de fevereiro de 1851 por instruções do Presidente Brigham Young, o Elder Parley P. Pratt recebeu ordens para coordenar a proclamação do Evangelho no Pacífico Sul. O Profeta Young teve uma visão de alcançar a outras partes do mundo que ainda não tinham o Evangelho restaurado.

Élder Pratt e sua esposa permaneceram em São Francisco, pregando o evangelho e buscando informações com respeito ao Pacifico Sul, pois haviam muitas dificuldades a serem vencidas e a principal delas era a língua espanhola. Também tinham outros tipos de dificuldades como a falta de material da Igreja para serem distribuídos aos habitantes daquela localidade, e teriam que depender apenas dos seus testemunhos pessoais e da orientação do Espírito Santo para a pregação do Evangelho de Cristo. Pratt obteve muitas informações sobre a religiosidade que predominava na América do Sul, que era a Católica, e que a igreja Católica tinha muita influência no governo, o que dificultava a entrada e aceitação de novas religiões na América do Sul.[2]

Em busca das informações com respeito ao Pacifico Sul, Pratt descobre que em Valparaíso no Chile haviam comunidades protestantes, e que entre estes, era melhor aceitação da mensagem do evangelho de Jesus Cristo.

Em setembro de 1851, Parley P. Pratt, sua esposa e o Elder Rufus Allen, partiram de São Francisco rumo ao Chile, em uma viagem que durou dois meses aproximadamente, este tempo proporcionou a Pratt uma preparação melhor em seus estudos, e também um melhor entendimento para o que iria encontrar. Eles chegaram no dia 8 de novembro de 1851 em Valparaiso. O Chile proporcionava bons recursos para a pregação do evangelho, pois era um país onde havia certa estrutura de liberdade religiosa, assim garantido pela Constituição. Estas circunstâncias deram à Pratt e a Allen uma boa perspectiva para a implantação da “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias”. Eles fizeram contatos com muitas pessoas importantes e com muitas autoridades públicas da cidade, porém, o medo e o receio de mudar de religião e também o receio de que as outras pessoas iriam pensar, levaram-nos a não se dispor e aceitar a nova mensagem trazida.[3]

No mês de janeiro de 1852, Pratt e Allen viajam para o interior do Chile, ao encontro dos povos indígenas, para assim plantarem a semente para que no tempo oportuno, esta plantação no futuro viesse a dar frutos. O Chile naquele período estava passando por uma crise, distúrbios e rebeliões devido à política interna do governo, mas também pela razão de muitos chilenos serem negociantes e haviam se estabelecido na Califórnia, na época da corrida do ouro. Como eles estavam em busca do metal precioso, para assim ficarem ricos, mas a eles foi negado o visto pelo governo local, também por outros problemas relativos a questões políticas e sociais.[4] O que criou diversas complicações para aceitação do evangelho, assim em maio de 1852, após seis meses de trabalho, a Missão na America do Sul estava encerrada, e neste momento nos corações de Pratt e Allen originou um sentimento de tristeza, com o próprio Élder Allen declarou: “A América do Sul ainda não estava preparada para receber o Evangelho de Jesus Cristo”.

Notas

1 – Ver Sistema Educacional da Igreja, 1989, p. 12.
2 – Silva, Rubens Lima Da. Os Mórmons em Santa Catarina: Origens, conflitos e desenvolvimento. 2008.119 folhas. Trabalho do programa de pós-graduação em ciências da Religião. Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo,2008.pg;50-52.
3 – Idem, São Paulo,2008.pg;50-52.
4 – KLEIN, Herberto Moroni. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias: Do norte para o sul do continente escolhido. 1997.143 folhas. Trabalho de conclusão do curso de Bacharelado de História. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 1997.pg;27-28.

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Valeria da Silva

Valéria Corrêa da Silva possui Licenciatura Plena e é Bacharel em História na PUCRS.
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