O Congresso Nacional – senado e a câmara – transformou-se em um ambiente de interesses corporativos. Campanhas políticas de senadores e deputados são patrocinadas por grandes corporações. Eleitos estes parlamentares ocupam bancadas como lobistas de seus patrocinadores.

A bancada evangélica, ou Frente Parlamentar Evangélica, é uma das que mais cresceu nos últimos anos. Passou de cinco a dez parlamentares para os 40 a 60 de hoje. Além dos que representam as organizações religiosas há os que simpatizam com os evangélicos e eventualmente votam com ele. Essa união nem sempre é pacífica. Há momentos em que os interesses das Igrejas representadas por uns não são aceitos por outros.

No tocante a temas como aborto, homossexualismo, agitação e atentados contra a Constituição a bancada evangélica e seus associados tem votado fechado. A divisão maior é de caráter ideológico. Uns são associados ao governo do PT. Outros são de partidos de oposição. Há ainda os donos de partidos nanicos que jogam dos dois lados. Esse processo faz parte de uma comunidade politica tão divergente como a nossa.

Politica é informação. As campanhas fluem dentro das Igrejas com menos dinheiro. São comuns presidentes de Igrejas convidarem partidos e candidatos para exporem seus programas para membros, líderes e convidados em seus púlpitos.

Grandes concentrações religiosas são bancadas por candidatos e partidos onde são apresentarem aos membros das Igrejas que os patrocinam. Além da recomendação pastoral pelo o candidato, a informação politica se espalha com facilidade para grande numero de eleitores, diminuindo os custos de campanhas.

A informação política exige uma logística cara, nem sempre com resultados positivos. Ai candidatos e partidos evangélicos levam vantagem. As redes sociais e a parafernália tecnológica atual também são usadas pelas bases de dados das Igrejas como serviço voluntário aos candidatos.

O apoio político a pastores e candidatos indicados por eles não tem limite. Nos púlpitos, concentrações e reuniões internas de liderança a politica é tratada abertamente. Os interesses corporativosdas Igrejas sobrepõem regras religiosas – verbas parlamentares para construção de Universidades, quadras esportivas, ginásios de esportes e de edifícios de interesses das Igrejas falam mais alto do que limites religiosos. Nesse ponto há uma espécie de ecumenismo politico evangélico.

Os resultados são mais importantes do que as regras de fé. Essa experiência tem avançado por parte dos partidos de governo e oposição em direção aos evangélicos. Há Igrejas que compram seus próprios partidos e colocam seus pastores para comandarem o aliciamento de membros e políticos conhecidos para seus quadros.

Diferente de todo este contexto, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias – cujos membros são conhecidos como mórmons – não apoia partidos e candidatos oficialmente. Não permite a utilização de suas bases de dados, prédios e capelas para reuniões políticas e panfletagem após suas reuniões dominicais normais.

Essa separação de apoio oficial da Igreja a partidos e candidatos permite ampla liberdade de escolha aos membros sem amarra oficial de seus líderes. Assim se garante total liberdade politica e religiosa, permitindo ao membro escolher o partido e o candidato que desejar.

Mantendo esse limite A Igreja de jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias aconselha seus a participarem ativamente de projetos e ações comunitárias – incluindo associação a partidos políticos entidades publicas e privadas da sociedade onde a Igreja está organizada. Assim os membros da Igreja votam e são votados.

Cada Igreja com suas regras e métodos de fazer política partidária. Assim cresce a bancada evangélica no Brasil. As grandes corporações que empresariam tem parlamentares lobistas em defesa de seus interesses. As organizações religiosas também elegem seus parlamentares, governadores, prefeitos e vereadores que atuam em defesa de seus interesses.

Os partidos trabalham para atrair candidatos evangélicos. Também cresce o interesse de líderes e membros de Igrejas ingressarem na política. É um processo natural em evolução com tendência a crescer cada vez mais. É natural que também ocorra à política o interesse pessoal entre os evangélicos. Quatro ou mais candidatos em uma mesma comunidade evangélica disputando voto. Ao final os votos são pulverizados e ninguém se elege.

O predomínio do orgulho e da vaidade tem prejudicado avanços políticos maiores entre candidatos evangélicos. Isso se deve a pluralidade de Igrejas e lideranças evangélicas.

Antônio Macedo

Nascido em Pernambuco, Antônio Fernandes Macedo é jornalista e radialista. Casado, é pai de seis filhos. Serviu como Diretor de Assuntos Públicos da Área Brasileira e Missionário de Tempo Integral no Departamento de Assuntos Públicos da Área Brasil.

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