Por Jack M. Lyon, extraído de “Compreendendo os Símbolos do Templo Através das Escrituras, História e Arte”, 07 de dezembro de 2016, traduzido por José Eduardo Marcondes

Por que os templos têm símbolos?De onde vêm os símbolos? Todo o simbolismo dos templos é único aos Mórmons? Essas e muitas outras questões são respondidas no novo livro de Jack M. Lyon, “Compreendendo os Símbolos do Templo Através das Escrituras, História e Arte. A seguir está um trecho que dá cinco dicas para ajudar os Santos dos Últimos Dias a melhor compreender os símbolos do templo.

A história de Adão e Eva é nossa história individual também. Cada um de nós caminhou e conversou com Deus em nossa vida pré-mortal. Depois de nosso nascimento mortal, nós vivemos na inocência da infância. Então, como adultos, deixamos nossas casas para ganhar nosso pão pelo suor de nossa testa (ver Mosias 5:1). Agora, em nossas dificuldades, nós podemos nos voltar a Deus, procurar seus mensageiros e finalmente encontrar o evangelho. (Mesmo aqueles nascidos na Igreja devem passar por esse processo, já que a conversão é uma questão individual.)

Nós podemos nos casar e ter filhos. Nós vamos certamente ser confrontados por Satanás e vamos aprender por experiência a diferenciar o bem do mal. Enquanto nós amadurecemos em compreensão e virtude, nós podemos ser santificados pelo Espírito, eventualmente nos tornando o tipo de pessoa que pode habitar em glória celestial. Finalmente, nós vamos morrer e, no mundo espiritual, esperar pela ressureição. Ponderar sobre a investidura e os símbolos que a cercam pode trazer importantes introspecções, nos ajudando a nos tornarmos pessoas melhores nessa vida.

Aqui estão algumas dicas para lhe ajudar a reconhecer e compreender o importante e histórico simbolismo do templo.

1. Lembre-se que um símbolo se assemelha com aquilo que representa.

Uma chave para a compreensão de um símbolo é que ele sempre se assemelha com aquilo que representa. Por exemplo, o pão e a água do sacramento representam o corpo e o sangue do Salvador – nessa ordem. Não faria sentido nenhum que o pão representasse o sangue do Salvador ou que a água representasse o corpo do Salvador. O pão, como a carne, é sólido; a água, como o sangue, é líquida.

Outro exemplo é a decoração bordada na roupa do sacerdote no Antigo Testamento: “E nas bordas do manto [do sacerdote] fizeram romãs de azul, e de púrpura, e de carmesim” (Êxodo 39:24). Você já comeu uma romã? Se já, você sabe que é cheia de sementes. Então a romã pode ser vista como um símbolo de fertilidade, ou posteridade. Além disso, o suco da romã é vermelho, sugerindo sangue, ou vida: “é a vida de toda carne; o seu sangue é pela sua vida” (Levítico 17:14).

Depois que Adão e Eva consumiram o fruto proibido, “souberam que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.” (Gênesis 3:7). Qual é a cor das folhas de figueira? Verde, que simboliza vida e crescimento. Figueiras também contém centenas de minúsculas sementes, então a figueira, como a romã, pode representar fertilidade e posteridade. Além disso, foi só depois da queda que Adão e Eva foram capazes de ter filhos. Como Eva disse, “Se não fosse por nossa transgressão, jamais teríamos tido semente” (Moisés 5:9-11).

2. Não limite os símbolos a apenas um significado.

Só porque um símbolo representa uma coisa não significa que não possa representar outra também. Por exemplo, a “semente” que Eva mencionou (sua posteridade) também tem outro sentido: “E o Senhor Deus disse à serpente: E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gênesis 3:14-15). A nota de rodapé na edição Mórmon da Bíblia ressalta que a palavra traduzida aqui como “esta” é na verdade “ele” em Hebreu: “ele te ferirá a cabeça”. Além disso, as notas de rodapé explicam que a palavra do Hebreu traduzida como “ferir” também podem significar “esmagar, ou pulverizar”: ele te esmagará a cabeça”. Finalmente, no original Hebreu, a palavra para “semente” é singular e não plural; este verso se refere a uma “semente” específica, o Salvador. Hebreus 2:14 explica, “E porquanto os filhos participam de carne e sangue, também ele [Jesus] participou dos mesmos, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo;”

Novamente, vamos considerar o sacramento. Sim, o pão e a agua representam o corpo e o sangue do Salvador. Mas eles também, em si mesmos, proporcionam alimento. Logo, eles representam tanto a morte quanto a vida, mostrando que Jesus morreu para que nós possamos viver. O batismo tem os mesmos dois significados. Nós descemos sob a água, o que representa a morte, e nós ressurgimos fora da água, o que representa um novo nascimento, tanto físico quanto espiritual: “Nós fomos sepultados com ele [Cristo] pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em nova vida. Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição;” (Romanos 6:3-5)

3. Lembre-se que símbolos são designados para provocar dúvidas em sua mente.

Enquanto você participa da investidura, a apresentação pode provocar dúvidas em sua mente. Esse é o plano, já que perguntas podem nos levar a respostas e mais conhecimento. Então, reconheça suas perguntas e use-as como um ponto de partida para mais pensamentos e estudos. O Presidente Dieter F. Uchtdorf explicou: somos um povo questionador porque sabemos que as dúvidas nos conduzem à verdade. Foi assim que a Igreja começou: com um rapaz que tinha dúvidas. Na verdade, não sei como podemos descobrir a verdade sem fazer perguntas. Nas escrituras, raramente encontramos uma revelação que não foi dada em resposta a uma pergunta. Sempre que uma pergunta surgia, e Joseph Smith não tinha certeza de qual era a resposta, ele procurava o Senhor, e o resultado foram as maravilhosas revelações de Doutrina e Convênios. Muitas vezes o conhecimento que Joseph recebia ia muito além da pergunta original. Isso acontece porque o Senhor pode responder não apenas às perguntas que fazemos, mas o mais importante é que Ele pode responder às perguntas que deveríamos ter feito. Vamos dar ouvidos a essas respostas! (…)Deus ordena que procuremos resposta para nossas dúvidas (ver Tiago 1:5-6) e pede apenas que busquemos “com um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo”(Morôni 10:4).Se fizermos isso, a verdade de todas as coisas pode ser manifestada a nós “pelo poder do Espírito Santo” (Morôni 10:5). [“O Reflexo na Água”]

Considere a representação da natividade de Jesus em uma das janelas de vitral na magnífica catedral de Chartres, França. Os vidraceiros que fizeram as janelas estavam ensinando em uma maneira simbólica, muito como fazemos no templo. Olhe mais de perto na manjedoura segurando o menino Jesus. Você nota alguma coisa diferente? Isso não levanta uma dúvida na sua mente?

Se você fizer uma pausa para ponderar, você poderá perceber que a manjedoura se assemelha a um altar – e isso é de propósito. Os artistas que criaram a janela queriam que nós compreendêssemos que essa criança na manjedoura seria oferecida como um sacrifício pelo pecado. Como diz o livro de Hebreus: “Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue uma vez por todas entrou no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção.” (Hebreus 9:12). Como Amuleque explicou: “é necessário que haja um grande e último sacrifício; (…) e aquele grande e último sacrifício será o Filho de Deus, sim, infinito e eterno.” (Alma 34:13-14)

Aqui está um outro exemplo, dessa vez um verso da Pérola de Grande Valor descrevendo as condições no tempo de Adão e Eva: “o Evangelho começou a ser pregado desde o princípio, sendo anunciado por santos anjos, enviados da presença de Deus” (Moisés 5:58)

Este verso provoca a pergunta: Quem são esses anjos? O estudioso Mórmon Hugh Nibely deu uma explicação: “A literatura Mandeana explica que os mensageiros que vieram para instruir Adão e Eva eram os apóstolos que depois se tornaram os pilares da Igreja (Pedro, Tiago e João)”(Antigos Documentos e Pérola de Grande Valor, 3). O depoimento do Irmão Nibely tem grande valor, já que certamente o Senhor depois enviou Pedro, Tiago e João para Joseph Smith e Oliver Cowdery para restaurar o Sacerdócio de Melquisedeque. Mas seu depoimento também dá origem a outras questões: “Porque iriam Pedro, Tiago e João visitar Adão e Eva? Não eram eles de um período do tempo completamente diferente? Será que eles vieram como espíritos pré-mortais? O que está havendo aqui?” Possivelmente esses mensageiros não eram literalmente Pedro, Tiago e João, mas simbolicamente são representantes de quaisquer verdadeiros mensageiros “enviados” para visitar “Adão e Eva” (nós) aqui na mortalidade. A própria palavra apóstolo, no Grego original (apostolos) significa “aquele que é enviado”.

No templo há diversas coisas que nós podemos já ter imaginado vagamente a respeito mas não chegamos a realmente pensar sobre nem pesquisamos. Mas nós deveríamos! O processo é como encontrar um pequeno pedaço de fio solto em uma antiga suéter. É fácil ignorar aquele pedaço de fio e seguir em frente. Mas se nós começarmos a puxar, nós podemos descobrir que é o fim de um longo cordão com vários tipos de voltas interessantes.

4. Lembre-se que os símbolos do templo podem ser explorados nas escrituras.

S. Michael Wilcox, autor de Casa de Glória, escreveu:

Eventualmente as pessoas me pedem para recomendar um bom livro ou artigo para ajudar as pessoas a compreenderem as ordenanças do templo. Eu sempre respondo, “Sim! Há um maravilhoso manual escrito para explicar até mesmo os mais sutis significados da investidura, e está pronto e disponível para você”. Entusiasmada, a pessoa pega um lápis e papel para escrever o nome do livro. “O manual são as escrituras sagradas”, eu digo. Desapontada, a pessoa põe o lápis de lado e diz, “Não, sério. Existe algum outro livro que você recomendaria?” [Página 19]

O irmão Wilcox sabe sobre o que está falando. Se nós começarmos a olhar para as escrituras com o templo em mente, nós vamos começar a ver vários paralelos entre as duas coisas, e esses paralelos podem melhorar nossa compreensão, mesmo quando as escrituras à primeira vista possam não ser sobre o templo. Aqui está um exemplo em Doutrina e Convênios, a partir de uma revelação ao Presidente Brigham Young sobre como organizar as companhias enquanto eles se preparavam para deixar Winter Quarters e se mudarem para o oeste: “Que todo o povo de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e aqueles que com eles viajam se organizem em companhias, fazendo o convênio e a promessa de guardar todos os mandamentos e estatutos do Senhor nosso Deus.” (D&C 136:2). Esta revelação foi dada como uma instrução prática. E ainda assim quantos paralelos com o templo estão contidos neste curto verso? E o que esses paralelos podem nos ensinar? Não estamos nós, também, em uma jornada juntos para Sião?

Outro exemplo pode ser encontrado no Livro de Mórmon, no qual Alma discute a Liahona. O trecho inclui muitos paralelos que podem aumentar nossa compreensão sobre a investidura:

“E agora, meu filho, eu desejaria que compreendesses que essas coisas não deixam de possuir um simbolismo; pois como nossos pais [Leí e sua família] foram negligentes em prestar atenção a essa bússola (ora, essas coisas eram materiais), não prosperaram; o mesmo se dá com as coisas espirituais. Pois eis que é tão fácil dar ouvidos à palavra de Cristo, que te apontará um caminho reto para a felicidade eterna, como o foi para nossos pais dar atenção a essa bússola, que lhes apontava um caminho reto para a terra prometida.

E pergunto agora: Não há nisto um simbolismo? Pois tão certamente quanto esse guia trouxe nossos pais para a terra prometida por terem seguido seu curso, também as palavras de Cristo, se lhes seguirmos o curso, nos conduzirão para além deste vale de tristezas, a uma terra de promissão muito melhor.” [Alma 37:43–45]

5. Reconheça que uma válida interpretação de um símbolo é compatível com as escrituras e ensinamentos do evangelho.

A interpretação precisa dos símbolos do templo sempre vai concordar com os princípios do evangelho como foi delineado nas escrituras e com as palavras dos profetas. Se nós chegarmos a uma outra compreensão, podemos ter certeza de que compreendemos errado, então precisamos praticar a cautela. Como o apóstolo Pedro escreveu, “nenhuma profecia da escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” (2 Pedro 1:20-21). Em outras palavras, nós precisamos compreender a investidura em seus próprios termos e não forçar as nossas interpretações à respeito. A investidura foi planejada para nos ensinar certas coisas; nós deveríamos tentar compreender essas coisas e não cair na condição daqueles que “desprezaram as palavras claras (…) e procuraram coisas que não podiam compreender. Portanto, devido a sua cegueira, cegueira que lhes adveio por olharem para além do marco, terão que cair, pois Deus tirou-lhes a sua clareza e entregou-lhes muitas coisas que não podem entender, pois assim o desejaram. E porque o desejaram, Deus o fez, para que tropecem.” (Jacó 4:14)

O Élder Gerald N. Lund avisou que nós devemos “ajustar a interpretação de qualquer símbolo no esquema geral do conhecimento do evangelho. Não importa quão esperta, ou quão lógica, ou quão ingênua possa ser nossa interpretação de um símbolo, se ela contradiz o que é revelado em outras fontes, nós podemos assumir que está errada”. (“Compreendendo Símbolos das Escrituras”, 24).

Para mais ideias específicas sobre o simbolismo por trás da criação, Adão e Eva, e outros assuntos relacionados ao templo, verifique “Compreendendo os Símbolos do Templo Através das Escrituras, História e Arte” por Jack M. Lyon, disponível nas lojas Deseret Livros em deseretbook.com

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Eduardo Marcondes

É jornalista há 20 anos, com ênfase na atuação em Rádio e Televisão. Foi repórter, editor e apresentador, com passagens por praticamente todas as emissoras com sede na capital paulista, entre elas o Grupo Bandeirantes e o SBT. Atualmente faz trabalhos de textos em parceria com alguns empresários e escreve regularmente na internet há pouco mais de ano.
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